Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

The Tyger

Tiger! Tiger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?

And what shoulder, and what art,
Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand? and what dread feet?

What the hammer? what the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? what dread grasp
Dare its deadly terrors clasp?

When the stars threw down their spears,
And watered heaven with their tears,
Did he smile his work to see?
Did he who made the Lamb make thee?

Tiger! Tiger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?

-William Blake
(* 1757, + 1827)

A Day

A day


A day,

a day

I will wake up

In the lake of torments

Under a dark cloud and razor wings


I know


One day

Or other day

I woke up and saw

Mighty miles of surrender

I saw the forfeit of thunders,

I remember,

At the sea of sorrows.


I’ve been waiting


Oh, a day

someday

My breath will cast away

And I’ll smile through my tears

Seeing towards the storm the beauty of live

At the sea of sorrows.


- Steve Harris

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

- Guia 1.0 do Obitu-(Di)ário -

Para os românticos de plantão, os apaixonados extremistas, ou os que simplesmente desejam um texto quase bonito, recomendo:

Em 2009
- Maio: Esta Noite
- Janeiro: Dos Amores

Em 2008
- Setembro: Num dia de feira
Apenas mais um dia de feira.
- Outubro: Desejo
Lumina
- Setembro: Um dia esquecerei
Melodia, substantivo feminino
- Julho: Um Caminho Assim


Para os saudosos e emotivos:

2009, Março: A TURMA
Janeiro: O QUE RESTA DE MIM

2008, Dezembro: AI DESSES JOVENS



E para quem gosta de umas rimas bem bestas:

2009, Março: Meu Pé de Jacarandá
Fevereiro: Não sou poeta
Janeiro: Ma Reine du Printemps
My sweet J

2008, Setembro: Tenção de poesia
Julho: Um caminho assim



Dica: clique na seta negra ao lado do ano e mês que quiser visualizar (Painel à direita do blog) para ver todos os posts do período que escolheu.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Medo

Eu não entendo esse medo tão profundo e perene que os meus amigos têm. Medo das pessoas, medo dos lugares, medo das horas, medo de sair e de chegar. Logo em Fortaleza! Ora, Fortaleza com sua grandeza, Fortaleza com seus policiais a cada quarteirão, percorrendo lentamente as ruas em suas reluzentes caminhonetes Hilux.

Fortaleza em que a questão social é ainda caso de polícia, em que todos estes excelentes servidores públicos têm ganas de proteger o elegante advogado de terno e gravata. Fortaleza é mais minha que de seus próprios pelintras e ladrões.

Fortaleza é solícita, meus amigos. Fortaleza real é a do céu resplandecente, dos cheiros das ruas, da pressa dos ônibus, do stress dos motoristas, do tráfego gigantesco, das milhares de lojas, dos incontáveis transeuntes; não essa vista pelo aquário que é um carro particular. Insípido. Inodoro. Refrigerado. A realidade de Fortaleza é a das ruas. Sejam elas límpidas ou imundas, iluminadas como o dia ou escuras como uma sombra só.

Não há nada a temer se não o medo. Este é quem nos impede de viver. Bom, é claro que eu não diria isso se me jogassem do carro, à noite, de paletó no meio do Pirambu!

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Fortaleza I

Eu só conheço uma cidade depois que faço uma longa caminhada por suas ruas. é quando ela se mostra real e concreta, e não de dentro do aquário dos vidros blindex de um carro ou no aperto apressado de um ônibus. É só assim, realmente que conheço seu âmago.

(...)

Então eu entrei no Centro Cultural do BNB em Fortaleza e vi o painel de Portinari, exposto em todo o seu esplendor no hall. subi lentamente as escadas de granito negro para encará-lo de frente.

- Magnífico! - murmurei extasiado.

Sutilmente todas as cores começaram a se mover, a flertar comigo, as formas me atingiam, me atacaram. De súbito, fez-se silêncio.

E eu chorei.

Escondido na escada diante daquela obra de arte de incomparável beleza. Sussurrando "fantástico", o rosto banhado em lágrimas. Ali estava a história diante de mim.

E eu me senti como se não fosse mais eu.

xxx

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Justificativa

Caros amigos,

sei que não atualizo o blog já há algum tempo. Peço perdão por isso. Felizmente tive de mudar de cidade por questões profissionais, então fiquei sem tempo para postar.

Apesar de tudo não parei de escrever, nem de ter idéias (que estão cada vez mais entusiasmantes), nem de acompanhar o blog dos meus conhecidos.

logo, logo teremos mais histórias aqui. Principalmente a coninuação da Saga da Máquina das Puras Possibilidades, para a Confraria.


Saudações cordiais.



Vamos ler, vamos cantar, vamos rir e chorar que a vida é bela e vale a pena ser vivida.


Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Cheiro de Relva

Cheiro de Relva


Quando li O Hobbit pela primeira vez, o que mais me impressionou foi o cheiro da relva que senti quando soube do Condado. Fato que se repetiu nas histórias do Senhor dos Anéis e outras de natureza fantasiosa, capa e espada ou medievais, como quiserem.

Em nenhum momento eu senti o futum do Gollum, ou o fedor dos Uruck-Hai ou dos Naz'Guls. Era sempre o cheiro de relva, o olor de madeira odorífica queimando na lareira enquanto lá fora era uma noite fria, e a toca tinha um calor aconchegante. Quase como se a toca fosse minha própria casa.

Que capacidade é essa de alterar a realidade, de criar uma nova, de mudar o tempo, de mudar os sentimentos, de fazer chover quando necessário e de nascer o dia quando imprescindível? É a de toda uma vida.

O que eu devo aos contadores de boas histórias? Devo tudo, devo a graça de minha vida e a alegria de minha existência. Agradeço o suflar de esperança em meu peito. O que devo a estes calhamaços de papel, envelhecidos, amarelecidos, tão convidativos quanto gratificantes? Devo a riqueza de minha história e a profundidade de meus sentimentos.

Devo minhas próprias histórias, umas poucas e boas histórias.


Boa noite e bons sonhos, meus livros.

Capítulo Decimus: Preparativos.

As outras relíquias foram encontradas facilmente. Uma reunião extraordinária da Confraria foi convocada para informar os demais Confrades dos recentes acontecimentos.

- Porra, bicho! Grendel é foda! – depois de um instante Martelo se completou – Ê fedor!

- E agora? – perguntou Frank.

- Todo o material está separado. Temos equipamento de camuflagem para nos esconder dos demônios, granadas de mão, explosivos em geral e armas de fogo. Será o suficiente para acabar com eles numa bela tarde de inverno. Inclusive há um par de botas-esquis iguais às relatadas por Dan Brown em Impacto Profundo. Fuzis de longa distância, pistolas, e submetralhadoras. Ah, e uma giratória para Wolverine. Eu vou levando minha HK MP5 especial com carregador duplo, teleobjetiva, visor noturno e térmico.

E, depois de um silêncio constrangedor, terminei:

- Falta só achar os “outros dois integrantes”.

- Quem serão? Alguém de fora? – quis saber Frank.

- Será que não é apenas um número cabalístico? – supôs João.

- Cabalístico ou não, tem que ser completado. - redargui.

- Vamos chamar Frank, o Outro? E um dos Irmãos do Caos? – perguntou Martelo.

- Não acho que seja uma boa. – eu respondi, diante da careta de todos os outros.

- Então quem?

- Ããã... - fez João, naquela sua expressão bem conhecida. - Eu conheço alguém que pode...

- Quem? - eu perguntei apressado.

- Padmé.

- Sim, e a outra pessoa? - Wolverine quis saber.

- Yvaine.

- Eita! - gritou Martelo sem querer. - Logo as duas?

- Isso não vai dar certo. - disse Frank.

- Tss! - chisteou João.

- É o jeito. - Martelo respirou fundo. - Como a gente faz para falar com as duas?
- Deixa comigo. - respondeu João 8.

Dois dias depois eu estacionava a Sahara (sabe aquela minha caminhonete D-20 cabine dupla preta e tunada? Essa mesmo) numa bifurcação da estrada de Juazeiro para Caririaçu. Uns cem metros à frente ficava a gruta.

Imaginem um silêncio sepulcral. Era isso mesmo dentro da caminhonete. Desde a saída da casa de Yvaine, que a foi a última a embarcar, ninguém deu uma palavra. Nem um pio. Eu conseguia ouvir todos os grilos da suspensão traseira da Sahara.

Martelo vinha sentado à minha direita. Eu tão nervoso com a situação, e a aventura em si, que ainda acertei seu joelho com a barra da marcha umas vinte vezes. Ele também não dizia nada. Padmé ia na extrema direita, apesar de não estar com a cara fechada, não consegui segurar nem por dois segundos um sorriso quando a cumprimentei.

Yvaine ia sentada no banco traseiro atrás de mim, com João 8 logo a seu lado. Ele vinha batendo nas próprias pernas, acho que era para espantar o nervosismo, embora o ato o tornasse mais evidente. Ela só olhava pela janela. Wolverine vinha ao lado dele cofiando a barba estilizada com aquele jeito de quem está aparando as unhas numa lixa. Mais desconfiado impossível.

Frank vinha no bagageiro lendo um livro de xadrez, para variar. Uma magnífica e especificíssima obra sobre o xeque-pastor. Uma farândula. Aparentemente nem atinava para a tensão dentro do veículo.

Descemos do carro no mesmo silêncio. Distribuí os equipamentos entre o pessoal. Wolverine, como sempre, levando 4/3 de tudo, na moral. As duas heroínas sempre se mantendo à distância.

Vou pular a parte dos rituais de abertura do portal, que é chata. Só comunico que quando a luz esgazeada do portal mostrou o que parecia ser uma caverna-gêmea do mundo da fantasia, mais à frente se estendendo uma campina de grama esverdeada até perder de vista, todos estavam ansiosos para atravessar.

Uma sensação de congelamento cobriu minha pele quando passei depois de Martelo que ia como batedor. Meus olhos ficaram cegos por alguns instantes, o suficiente para perceber que todos havia ultrapassado o portal. Quando voltei a enxergar, a parede de rochas havia substituído o portal. Só restavam as imagens pintadas sobre a pedra.

Senti um peso anormal sobre as roupas. Mas o mais estranho foi perceber Wolverine usando uma cota de malha de aço e segurando um machado de guerra.

- Caralho, bicho! Eu tô de armadura!


Continua...

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Esta Noite

Se não queres que eu compartilhe esta noite contigo, simplesmente me diga.

Se não queres esta brisa de eterno frescor, nem este cheiro de dias gloriosos por virem, simplesmente me diga.

Não ficarei me apegando a este sonho, ao sonho desta noite.

Pois posso muito bem percorrer as ruas desertas e me deslumbrar com a beleza das luzes amareladas e o jogo de sombras aos pés dos postes. Posso dançar ao som do profundo e absoluto silêncio. Posso admirar e beijar as estrelas como se fossem meus únicos amores possíveis. Posso até uivar para a lua.

Mas se quiseres que eu compartilhe esta noite contigo, não fales nada. Deixa-me encarregado de ti e de teus desejos. Deixa-me silenciar teus anseios, sufocar teus medos e extinguir tua solidão que dói nos olhos só de te ver. Deixa minhas mãos tocarem as tuas, deixa meu corpo aquecer o teu, deita teus pensamentos em meu peito e esqueça que o mundo existe, esqueça as horas, as convenções, a história humana, os meus gostos e os teus desgostos.

Esqueça tudo.

Lembra-te apenas que tu és uma mulher e que eu sou o homem que podes te chamar de teu, por hoje, apenas. Por hoje apenas. Pois que eu sou cigano no pensar e no amar. O amanhecer me leva a outros passos e a lembrança de um sorriso que nunca vi nesta vida me leva para outros caminhos.

Mas esta noite eu sou teu porque Deus me deu a chave do tempo e do espaço para fazer uma noite perpétua. Que pode ser hoje ou amanhã. É só deixar-te levar por meus poucos encantos em alguns cantos. Ouvir as palavras por mim sussurradas em teus ouvidos e permitir que a magia da noite encante teus sentidos. E, quem sabe, selados alguns beijos, se realizarão teus desejos.

Então eu serei toda a madrugada.

Domingo, 17 de Maio de 2009

Capítulo Noventenum: O sábio Frajuto.

Um dia desses fomos, o João, Wolverine e eu, ao Fulerage Burgues que fica na Rua Vaqueiro José Jacó, que na verdade é oficialmente a Rua Vaqueiro Raimundo Jacó. História complicada. Eu explico qualquer dia desses.

Antes de sairmos da casa do João 8, o filme “Gênio Indomável” estava terminando. Eu bem sentado no sofá clássico, totalmente refestelado, quando o Frajuto, gato de estimação da Matriarca do clã Trindade, sentou-se diante de mim, tranqüilo, piscou os olhos bem devagarzinho, e, quando ninguém estava prestando atenção, me disse:

- Então é você.

Eu arregalei os olhos e respondi:

- Aí depende... – diante de seu silêncio sábio, continuei – do que você está falando.

Ele lambeu sua pata de forma lenta e cerimoniosa, depois falou:

- Apesar de não se deixar assustar facilmente, você é um tanto obtuso.

- É o que minha mãe me diz todo dia. – eu respondi vagamente, com a atenção presa ao filme.

- Ela não diz isso, diz? – olhou-se com curiosidade e moveu os finos bigodes.

- Agora o obtuso foi você. – ri na cara dele.

- Oras, voltemos ao assunto. É para você que eles mandaram a missão. Você e seus “Confrades”.

- Quem são “eles” e qual é a missão?

- Eles são os Lordes da Ascensão. A missão é eliminar a nova ameaça Grendel.- um vento frio desagradável e de odor fétido passou pela sala deixando na atmosfera uma tensão palpável. Fungando para afastar o incômodo fedor, respondi:

- Nunca ouvi falar...

- Isto é axiomático. Surpreender-me-ia o contrário. No entanto... – fez um instante de silêncio e ronronou num riso desdenhoso – Não importa. Ouça-me bem, Guerreiro, na estrada para Caririaçu há uma caverna onde está escondido o portal que liga esta realidade às Terras Médias. Metade da chave do portal está guardada na gruta do Arajara, a outra metade está no Cruzeiro de Santana do Cariri.

- E agora é uma viagem turística, também?

- Cale-se e ouça... – e passou uns bons minutos falando dos esconderijos dos citados objetos, mais alguns tesouros e relíquias. Não sabia que havia tantas espalhadas de forma oculta pelo Cariri! Falou da Lâmpada do Tempo, um objeto ancestral que permitia a seu portador viajar em segurança pelo tempo através de portais mágicos. Ensinou alguns códigos, senhas e outras informações úteis em caçadas a objetos secretos.

- Ufa! – eu suspirei.

- Memorizou tudo? – perguntou Frajuto.

- Sim. – respondi.

- Essa será uma aventura cheia de perigos, Guerreiro. As coisas nunca serão o que parecem. Bem, agora junte seus seis companheiros e parta para a aventura.

- Seis? Mas só somos cinco ao todo! O João 8, Wolverine, Frank Z, Martelo e eu. – eu disse, contando nos dedos de forma bem acentuada.

- Isso é problema de vocês. – e sumiu pela porta do quarto da Matriarca.

- E aí, S, vamos? – perguntou Wolverine que, aparentemente, não havia percebido a minha conversa com o gato.

- Vamos.

Eu fiquei tão concentrado na “missão” que mal falei durante o percurso até o Fulerage Burges. Logo os dois perceberam algo errado e me perguntaram o que acontecia.

- Não, é que o Frajuto acabou de me dizer que nós temos que juntar sete homens para eliminar uma nova ameaça Grendel. - Novamente o ar infecto sobreveio.

- Ô seu Zé, tem alguma coisa estragada aí na cozinha! – gritou Wolverine e se virando para nós, disse – Tomara que não seja meu X-Doidão.

- Não, - intervi – é essa palavra.

- Frajuto? – perguntou João 8.

- Não.

- Homens? – foi a vez de Wolverine.

- Grendel – eu disse, dampando o dabiz.

- Eita, Júnior! Vê se não peida aí! – gritou seu Zé, o dono do Fulerage Burges.

- Hômi, seu Zé...! – respondeu Wolverine.

Então eu falei de toda a conversa que tive com o sábio, ou sabido, Gato.

- S, como você pode acreditar nessas coisas? Ainda mais imaginar que nós sete, e olha que não somos nem sete, vamos enfrentar uma ameaça inventada por Michael Crichton em “Devoradores de Mortos”. Ainda mais, pelas palavras do Frajuto! Ele nunca nem falou comigo... – relutou João.

- Aí é que está. Vamos tirar a prova procurando os tesouros: as duas partes da chave que abre o portal e a Lanterna do Tempo.

Realmente eles existiam. Coberto de lama da gruta do Arajara, Wolverine se ergueu com uma peça dourada na mão. Parecida com uma argola dourada com uma extremidade pontuda e runas gravadas em sua extensão, que apareceram depois que limpamos a sujeira.

Wolverine esbugalhou os olhos num esgar de fúria e gritou:

- Matar, triturar e destruir!

Continua...